


Ah, eu adoro São Paulo. Sempre e sempre. Claro, não tem a praia, um problema que para mim é sério, pois sei que de mar metade de mim é feita e a outra metade, ou será mesmo o todo, precisa de sol para viver. Mesmo assim, São Paulo é tudo para mim e cada vez que vou para essa cidade mais uma brecha se abre, mais um portal, mais uma descoberta. Mais uma paixão. Ai, esse meu coração ansioso de um vermelho pus, esse cara daqui do meu peito que mais se parece com um cãozinho de bolso.
Primeiro foi a Casa das Rosas, um lugar bucólico que sobrevive no meio da Avenida Paulista. Um jardim de rosas com literatura, minhas duas paixões entre tantas amantes que habitam esse ser chamado Débora.
Depois, a arte, o teatro e um cheirinho de 1922.
E depois, ou antes, sim, esses são antes: as pessoas. Tenho descoberto pessoas em São Paulo. Talvez meu olhar esteja guiado pela paixão, mas qual paixão será pior do que a cinza verdade que nos vendem sobre as grandes cidades? Tenho descoberto e me apaixonado por pessoas, mas se escrever aqui quem são, da forma incendiada em que estou, poderei me comprometer mais do que realmente estou.
E a cidade: eu vi céu azul, saí de vestidinho e sandália, não sei se foi por mim, mas o sol apareceu. E eu, em plena Praça Roosevelt, acordei com a conversa dos pássaros.
E a Borboleta Avoada, a Moça do Segundo Andar encantou-se por um pardal que chegou em sua sacada na hora do almoço e que pra ela (ela jura que foi só para ela) ele cantou até a hora de pagar a conta.
Qual era o canto do Pardal? Não sei e ele saiu sem dar endereço. Deixou doçura, serve?
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