Nessa sexta participei de um encontro tão bom: fui visitar as meninas da Casa da Acolhida, no Catete. O encontro aconteceu porque elas foram assistir o espetáculo SETE VENTOS lá no Glaucio Gil e a Rose, uma das assistentes sociais da Casa, me convidou para dinamizar uma oficina de teatro. Foi ótimo! As meninas são lindas! Super bem cuidadas, inteligentes, umas fofas.
Eu cheguei acabada com o calor que enfrentei no metrô sem ar condicionado que eu peguei. Horrível, minha pressão caiu e eu já cheguei pedindo alguma comida salgada e café. Eu tomei um café docinho com biscoito e margarina. Delícia.
Depois, a Rose chamou as meninas. Foi chegando uma a uma. Teve uma que disse que não iria porque tinha censura - ela ficou chateada porque não pode ir ao espetáculo por causa da classificação etária e ela só tem 13 anos. Depois as outras foram chegando. Entramos na sala multiuso, fizemos um círculo e fomos nos apresentando. As meninas falaram um pouco de si, do que acharam do espetáculo. E elas se identificaram mesmo, chegando a se emocionar. Eu também falei um pouco de mim.
Depois fizemos uns exercícios teatrais, entre eles o jogo do espelho, que foi o maior barato. Por fim, eu fiz a proposta de uma improvisação onde cada grupo escolheria o seu tema. Elas escolheram fofoca e preconceito. As improvisações foram ótimas.
Conversamos a respeito dos temas e elas deram as suas opiniões. Enquanto eu ouvia aquelas meninas falando com propriedade dos temas, defendendo as suas origens, dispostas a lutar por respeito, querendo ser ouvidas eu pensei: são líderes, com certeza, só precisam de uma boa escola, de uma boa base de instrução porque inteligentes e capazes elas são e muito mais do que muitas meninas de classe média que eu conheço.
Meu coração saltou de alegria: essas meninas não desistiram. Meu coração apertou: pensei no tamanho do salto que elas terão que dar. Pensei nos tantos leões que elas matam por dia. O leão do preconceito, do olhar atravessado, da desconfiança e da descrença dos demais.
Essas meninas já nasceram Candaces, guerreiras, com a lança na mão e todos os dias saem com essa lança na bolsa para matar os leõs.
Essas meninas de pó e perfume, de malha e de seda.
Elas que se confundem na massa do metrô, sonham enquanto a gente dorme.
Queria trazer para vocês uma cama de nuvem.
Passar meus dedos entre os seus cabelos
Abraçar quando chegam da escola.
Essas meninas pintam as unhas de rosa, andam na última moda e assistem Malhação.
Essas meninas são de carne, são de osso, tem olhos, pé, nariz, orelha, boca, cabelo, cor, mão e coração.
Essas meninas são Meninas Maravilhas, superpoderosas não porque salvam o mundo, mas porque se salvam no mundo.
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